Artigo realiza análise sobre a seleção das fontes em emissoras afiliadas a redes radiofônicas que terceirizam a produção jornalística
O professor do PPGCOM Luãn Chagas teve o artigo A seleção das fontes e a terceirização na construção das notícias: dependência e passividade na CBN Ponta Grossa publicado na Revista Estudios Sobre el Mensaje Periodístico da Universidad Complutense de Madrid.
O texto, que está no terceiro número de 2020 do periódico, realiza uma análise sobre as práticas jornalísticas na seleção das fontes em contextos de terceirização dos profissionais de emissoras afiliadas a redes radiofônicas.
A coleta dos dados foi realizada a partir de uma observação sistemática ao longo de uma semana na emissora com foco na seleção desempenhada pelos profissionais. O objetivo foi verificar como situações precárias de trabalho ou de terceirização da produção podem afetar a diversidade e pluralidade de vozes na construção das notícias.
A afiliada da CBN em Ponta Grossa (116 km de Curitiba) tinha em 2018 apenas um jornalista como âncora e produtor na emissora e outros dois com contratos terceirizados.
O estudo apontou alguns resultados sobre os estudos relacionados à seleção das fontes.
Segundo o professor argumenta no texto, os estudos sobre gatekeeping e gatewatching, dois conceitos relacionados a escolha destas vozes, demandam de estudos que reconheçam as especificidades radiofônicas, como a ausência de uma linearidade ou sequência de funções no processo de construção das notícias.
Outra situação envolve o trabalho terceirizado e precário que reforça uma dependência de fontes profissionalizadas e que possuem assessorias de imprensa que buscam uma sofisticação na relação com os jornalistas. Dependentes dos materiais externos pela falta de condições de produzir, as produções se tornam passivas no sentido de aceitar os materiais das fontes na íntegra sem qualquer tipo de análise, apuração ou curadoria.
“É fundamental, a partir desse reconhecimento, pensar nas formas de acesso ao espaço do jornalismo em meio à desigualdade entre a elite econômico-política, que possui mais condições de produzir materiais e garantir a acessibilidade de que precisam os jornalistas, e as organizações populares, sociais ou não profissionalizadas”, destaca no artigo.


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